FM Dom Bosco exibe série de reportagem “Mais respeito, patrão”

Nesta quinta (27) e sexta-feira (28) o Informativo Dom Bosco apresentou a série de reportagem “Mais respeito, patrão”, produzido pelas jornalistas Roberta Farias e Jocasta Pimentel. O conteúdo traz uma abordagem sobre os variados tipos de discriminação vivenciados no ambiente de trabalho. Acompanhe, na íntegra, a reportagem (texto e áudio).

OBS: Não adicionamos o arquivo completo da reportagem pois ultrapassou o limite permitido de áudio, por isso colocamos dessa forma.

 

Parte 01 (Exibida em 27/09/2018): 

 

ROBERTA: O trabalho dignifica o homem. Será mesmo?

ROBERTA: Talvez para essas pessoas, o ditado não foi positivo. Ao contrário. É muito comum se deparar com situações em que profissionais se desestimulam com o trabalho devido a atos de discriminação, seja por gênero, aparência, raça, cor ou religião.

JOCASTA: E o resultado: medo, doenças psicológicas e até mesmo depressão. Nossa equipe ouviu diversos depoimentos de trabalhadores que sentiram necessidade de desabafar, apesar de temerem possíveis retaliações. Por isso, usamos nomes fictícios.

JOCASTA: É o caso da Carla. Ela trabalhava na área do esporte, onde a figura masculina predomina, e o sentimento de machismo na empresa era comum. Quem mais sofria com isso? Ela, uma mulher.

ROBERTA: Até para quem é universitário e trabalha em grandes empresas, a discriminação faz parte da rotina. A jovem, identificada como Ana, passou por situações de constrangimento apenas pelo simples fato de ser uma estagiária.

JOCASTA: Seja no trabalho formal ou informal, a discriminação é recorrente. Um ambulante, que trabalha em uma das principais avenidas de Fortaleza, revela o medo que as pessoas sentem quando ele se aproxima para vender seus produtos.

ROBERTA: E quando a discriminação atrapalha as chances de um profissional ser contratado?

ROBERTA: Uma pesquisa feita pelo portal Vagas.com revelou que, no Brasil, mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência e profissionais mais experientes e qualificados foram os que mais se sentiram afetados em processos de recrutamento e seleção.

ROBERTA: Mas, afinal, o que configura uma atitude discriminação no ambiente de trabalho? O juiz Carlos Alberto Rebonatto, do Tribunal Regional do Trabalho no Ceará explica.

JOCASTA: Segundo o Ministério Público do Trabalho no Ceará, de janeiro a setembro de 2017 foram 67 autuações. Em comparação com o mesmo período, o número registrado nesse ano, recuou para 57./ Os dados incluem discriminação: por gênero, idade, origem/raça/cor/etnia, deficiência, doença congênita ou adquirida, orientação política ou religiosa etc.

JOCASTA: O Assédio sexual também pode ser considerado uma discriminação. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho, só no Ceará, foram contabilizados 335 casos de assédio moral de janeiro a agosto de 2018; desses 17 foram assédio sexual. Teresa trabalhou na área jurídica e passou por uma situação de assédio, porém, decidiu não denunciar, mas desabafou com a nossa equipe.

JOCASTA: Segundo a Coordenadora da Comissão de Combate ao Assédio Moral no Trabalho, da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE), Eurenir Lima, em 2017, até setembro, foram 46 atendimentos nesse segmento. Neste mesmo período, em 2018, o número caiu para 28. Ela lista o ramo das empresas que recebem mais denúncias relacionadas ao assédio moral.

ROBERTA: O juiz Carlos Alberto Rebonatto detalha o procedimento feito pelo Tribunal Regional do Trabalho no Ceará órgão, quando o caso de discriminação chega até o órgão.

ROBERTA: Na segunda parte da série “Mais respeito, patrão” você vai conferir mais relatos de discriminação e ainda saber como essas situações podem refletir na vida pessoal e profissional do trabalhador.

 

Parte 02 (Exibida em 28/09/2018): 

 

ROBERTA: Engana-se quem pensa que a discriminação no trabalho tenha origem no século passado. Se voltarmos no tempo da era colonial no Brasil, é possível fazer um paralelo sobre a evolução da sociedade e o contexto da discriminação. Segundo o professor e pesquisador Adauto Leitão, desde o processo de desenvolvimento do país, a então capitania do Ceará teve um grande destaque: a raça negra chegou, inicialmente, sem algemas.

ROBERTA: A conquista da mulher ao longo da história também contribuiu para uma evolução na mentalidade da sociedade, que passou a enxergar a mulher como fator preponderante no ambiente de trabalho.

JOCASTA: E quem disse que as gestantes estão imunes à discriminação no local de trabalho? A Maria, infelizmente foi alvo de atitudes preconceituosas, quando esperava seu primeiro filho.

JOCASTA: Ela entrou em uma empresa no mês de julho de 2012, e durante o período de treinamento, em agosto, descobriu que estava grávida de 3 meses. Na ocasião, ela pediu dispensa, mas a empresa disse que gostaria de contar com seus serviços e sua contratação seria efetivada, mesmo com a gestação. Para sua surpresa, em dezembro do mesmo ano, aconteceu um fato que lhe marcou até hoje.

JOCASTA: Abalada com a situação, Maria procurou o ministério do trabalho.

JOCASTA: A justiça determinou que a empresa mantivesse a empregada até o período de estabilidade, após o nascimento do filho da trabalhadora.

ROBERTA: O Ministério Público do Trabalho no Ceará informou que somente em 2017 foram 89 autuações de discriminação no ambiente de trabalho. O procurador chefe Antonio Oliveira Lima destaca as ações do MPT em combate a discriminação.

ROBERTA: Uma das ações desenvolvidas pela Superintendência Regional do Trabalho (SRTE) é a atividade de escuta e orientação ao trabalhador. De acordo com Eurenir Lima, Coordenadora da Comissão de Combate ao Assédio Moral no Trabalho, da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE), muitos chegam a procurar ajuda no órgão, inclusive com sinais de depressão./

ROBERTA: Gritos, xingamentos e ofensas são atitudes conhecidas e desaprovadas também no ambiente de trabalho. Infelizmente, uma realidade vivida pelo trabalhador Felipe.

ROBERTA: O desgosto pelo trabalho pode gerar consequências maiores, inclusive problemas depressivos. O médico psiquiatra Dr. Nairton Cruz enumera os impactos da discriminação no trabalho no psicológico do trabalhador.

JOCASTA: As situações de discriminação não têm fronteiras e atingem os trabalhadores imigrantes que vivem no Brasil. “Renato” é natural do continente africano vive no Ceará há alguns anos. Ele relata os momentos que sofreu com o preconceito.

JOCASTA: Camila Borges integra a Comissão de Direito do Trabalho da OAB Ceará, e explica que o empregado precisa ser tratado com dignidade, e que a relação laboral deve ser recíproca, sem discriminação.

JOCASTA: Para combater essas e outras práticas,  o Programa Trabalho Seguro, do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), elegeu a violência no trabalho como tema para o biênio 2018-2020. O desafio é conscientizar a sociedade da importância de combater práticas de violência no ambiente de trabalho, que podem resultar em problemas físicos e psicológicos. É o que explica um dos gestores regionais do Programa Trabalho Seguro (TRT), o juiz do trabalho Carlos Alberto Rebonatto.

ROBERTA: Muitas vezes, as atitudes que deixam o ambiente de trabalho hostil passam despercebidas por empregadores ou pelos próprios colegas de trabalho. O alerta tem solução: o respeito, que deixa uma ar de empatia e um ambiente de trabalho mais saudável.